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O erro mais comum de quem levanta dinheiro pela primeira vez é sair pedindo cheques sem saber qual evidência a rodada precisa gerar. O investidor quer entender o que você vai provar com o dinheiro, em quanto tempo e a que custo. Este guia traz um roteiro do preparo ao fechamento, com critérios, exemplos hipotéticos e checklists que você pode adaptar ao seu negócio.
Um aviso importante desde já: boa parte das referências sobre SAFE (um tipo de contrato de investimento) e sobre estrutura societária vem dos Estados Unidos. Elas servem para você entender a lógica, mas não substituem a validação com um advogado no Brasil.
- O que é a rodada pré-seed e qual é o seu papel
- Antes de pedir dinheiro: as evidências que você precisa ter
- Quanto levantar: calcule de trás para frente
- Quem investe nesta fase e como montar sua lista de alvos
- Materiais essenciais: resumo do negócio e pitch deck
- Como abordar investidores e conduzir o processo
- SAFE, nota conversível ou rodada precificada
- Diluição na cap table: como calcular
- Documentos societários e due diligence antes de assinar
- Erros comuns na captação pré-seed
- Perguntas frequentes (FAQ)
- Conclusão e próximos passos
- O pré-seed existe para gerar as evidências que a próxima rodada (seed) vai exigir. Defina essas evidências antes de definir o valor.
- O valor a captar se calcula de trás para frente: meta a mostrar, custo e prazo para chegar lá, mais folga para atrasos.
- Pitch deck que se entende sem apresentação oral, lista de investidores e reuniões em paralelo ajudam a dar ritmo ao processo.
- O SAFE dá ao investidor o direito de virar acionista no futuro; antes da conversão, ele não é ação.
- Aviso jurídico: as referências de SAFE e de direito societário usadas aqui vêm dos EUA. No Brasil, valide contrato, estrutura societária e propriedade intelectual com um advogado antes de assinar.
O que é a rodada pré-seed e qual é o seu papel
Segundo o guia da Foundersbase, o pré-seed é a etapa de financiamento em que a empresa ainda está na fase de ideia ou protótipo e usa o dinheiro para produzir as evidências que a rodada seed seguinte vai cobrar [S1]. Pense nele como o capital que compra aprendizado e prova, não como o capital que paga uma operação grande.
Essas evidências costumam ser de demanda. O mesmo guia cita como exemplos um protótipo funcionando, uma lista de espera e um piloto pequeno [S1]. Isso leva direto à próxima pergunta: o que você já tem para mostrar?
Antes de pedir dinheiro: as evidências que você precisa ter
Antes de marcar a primeira reunião, vale organizar o que você já validou. A lista abaixo é uma sugestão editorial de checklist, derivada dos tipos de evidência citados em [S1]; adapte ao seu mercado.

- Problema validado: você conversou com potenciais clientes e consegue resumir a dor deles em uma frase?
- Protótipo ou versão inicial: existe algo que as pessoas possam ver ou testar?
- Lista de espera: há pessoas que pediram para ser avisadas ou para testar antes do lançamento?
- Piloto pequeno: algum cliente real usou o produto, mesmo em escala reduzida?
- Aprendizados registrados: o que você mudou depois de ouvir os clientes?
O segredo é transformar cada item em argumento. Em vez de dizer “temos uma lista de espera”, mostre o que ela comprova: quem são as pessoas, como chegaram até você e o que esperam do produto. Evidência sem interpretação é só número solto.
Quanto levantar: calcule de trás para frente
A lógica sugerida em [S1] é partir do resultado: defina o que você precisa mostrar na próxima rodada, estime quanto custa e quanto tempo leva para chegar lá, e some uma folga para atrasos. O valor final é consequência desse plano, não um número escolhido por impulso.

O mesmo guia cita 12 a 18 meses de runway (o tempo que o caixa sustenta a operação) como referência de planejamento [S1]. É uma referência ilustrativa de um guia internacional: o número muda conforme setor, equipe e custos, então use-o apenas como ponto de partida para o seu cálculo, e não como regra nem como média do mercado brasileiro.
Exemplo hipotético, com números fictícios: imagine que a meta para a próxima rodada seja ter um produto em uso por um grupo de clientes pagantes. Você estima o custo mensal da equipe e das ferramentas, multiplica pelos meses necessários e soma uma folga para atrasos. A tabela abaixo mostra como o valor muda conforme a meta escolhida.
| Cenário (exemplo hipotético) | Meta a provar | Custo mensal estimado (fictício) | Meses + folga | Valor a captar (fictício) |
|---|---|---|---|---|
| A: validar demanda | Protótipo e lista de espera | R$ 30 mil | 9 + 3 | R$ 360 mil |
| B: piloto com clientes | Piloto funcionando com clientes reais | R$ 50 mil | 12 + 3 | R$ 750 mil |
| C: primeiras vendas | Primeiras receitas recorrentes | R$ 80 mil | 15 + 3 | R$ 1,44 milhão |

Os valores acima são fictícios e servem apenas para mostrar a conta (custo mensal x meses totais). Não representam média, benchmark nem recomendação de quanto captar.
Quem investe nesta fase e como montar sua lista de alvos
Nesta fase, o capital costuma vir de investidores-anjo e de investidores que atuam em estágio inicial. Montar uma lista de alvos antes de começar é uma das recomendações de preparação do guia [S1]. Uma forma prática de priorizar (sugestão editorial) é pontuar cada nome por critérios como:
- Interesse declarado no seu setor ou no tipo de problema que você resolve.
- Histórico de apoio a empresas em estágio parecido com o seu.
- Possibilidade de chegar por indicação de alguém de confiança.
- Capacidade de ajudar além do dinheiro, com contatos ou experiência.

Como referência de que existem programas institucionais de apoio, o K-Startup, da Coreia do Sul, oferece educação sobre captação e processo de investimento [S3] e orientação sobre estratégia de investimento e suporte jurídico para contratos e negociação de rodadas [S4]. São fontes sul-coreanas e não descrevem o ecossistema brasileiro; o ponto aqui é incentivar você a procurar programas e redes de apoio equivalentes no seu país.
Materiais essenciais: resumo do negócio e pitch deck
O guia [S1] recomenda preparar dois materiais antes de abordar investidores: um resumo curto do negócio e um pitch deck que se entenda sem apresentação oral. O teste é simples: se você enviar o deck por e-mail e a pessoa conseguir entender o negócio sem você por perto, ele cumpre o papel.
Sugestão de checklist de slides (editorial):

- Problema e para quem ele existe.
- Solução e como ela funciona, em linguagem simples.
- Evidências: protótipo, lista de espera, piloto.
- Quanto você quer captar e o que será provado com o dinheiro.
- Equipe e por que ela é a certa para resolver o problema.
Erros comuns: slides cheios de texto, frases que só fazem sentido com sua explicação ao vivo e ausência de ligação entre o valor pedido e as metas do plano.
Como abordar investidores e conduzir o processo
Uma boa prática (sugestão editorial) é começar por indicação, quando possível, e enviar o resumo curto antes do deck. Quanto à condução, a recomendação do guia [S1] é conduzir as reuniões em paralelo, em vez de falar com um investidor de cada vez. Isso cria ritmo e permite comparar conversas e condições.

Roteiro semanal ilustrativo (não é prazo típico de mercado):
- Semana 1: finalizar lista de alvos, resumo e deck.
- Semana 2: pedir indicações e enviar os primeiros contatos.
- Semana 3: realizar as primeiras reuniões, registrando dúvidas recorrentes.
- Semana 4: ajustar deck conforme o retorno e retomar contato com quem demonstrou interesse.
- Semanas seguintes: aprofundar conversas, discutir condições e encaminhar a revisão jurídica.
Não existe prazo garantido de fechamento. Use o roteiro apenas como forma de organizar o trabalho.
SAFE, nota conversível ou rodada precificada
O SAFE, segundo a explicação do Y Combinator, é um contrato em que o investidor aporta o dinheiro agora e recebe o direito de convertê-lo em ações no futuro. Antes da conversão, o SAFE em si não é ação [S2]. A tabela abaixo mostra apenas diferenças conceituais gerais entre três caminhos comuns de captação; detalhes de cada instrumento variam conforme o contrato.

| Critério | SAFE | Nota conversível | Rodada precificada |
|---|---|---|---|
| Lógica geral | Investidor aporta agora e ganha o direito de virar acionista depois [S2] | Costuma envolver conversão futura e condições próprias, a validar com advogado | O valor da empresa é definido já na negociação |
| O que o investidor tem logo após o aporte | Um direito de conversão, não ações [S2] | Depende dos termos do contrato | Participação definida na própria rodada |
| Quando pode fazer sentido | Quando se quer adiar a discussão de valor da empresa | Quando as partes aceitam uma conversão futura com regras próprias | Quando há acordo sobre o valor da empresa desde o início |
| Atenção | Modelo americano; adaptação ao Brasil exige advogado | Revisão jurídica necessária | Revisão jurídica necessária |
Alerta jurídico: o SAFE e as referências societárias dos materiais citados refletem o ambiente dos Estados Unidos [S1][S2]. Não trate o modelo como contrato padrão no Brasil: a escolha do instrumento e a adaptação dele à sua empresa devem ser definidas com um advogado.
Diluição na cap table: como calcular
A cap table é a tabela que mostra quem é dono de quanto da empresa. Diluição é a redução da sua fatia quando novos investidores entram. No SAFE post-money do Y Combinator, a participação vendida é calculada dividindo o valor investido pelo valor-teto (cap, o limite de valor da empresa usado na conversão) [S2].

Exemplo do material do Y Combinator (ilustração de contrato americano): um investimento de US$ 1 milhão com cap de US$ 6,7 milhões resulta em 1 ÷ 6,7 ≈ 0,149, ou cerca de 15% [S2]. Esse é um exemplo para entender a conta, não uma condição típica de pré-seed e nem uma referência para o Brasil.
Exemplo hipotético com vários investidores, com números fictícios: suponha dois SAFEs, um de R$ 200 mil com cap de R$ 4 milhões (200 ÷ 4.000 = 5%) e outro de R$ 300 mil com cap de R$ 6 milhões (300 ÷ 6.000 = 5%). Somando as participações, a estimativa simplificada é de cerca de 10% vendidos. Esse resultado é só uma aproximação: a conta real depende dos termos de cada contrato, e o ambiente jurídico dos EUA não se aplica automaticamente ao Brasil. Peça a um advogado para simular os cenários.
Documentos societários e due diligence antes de assinar
Due diligence é a checagem que o investidor faz nos documentos da empresa antes de fechar. O material do escritório Lowenstein Sandler destaca a importância de ter claros o plano de uso dos recursos, os registros de participação societária e o material de due diligence, além de buscar revisão jurídica [S5]. Esse material descreve o contexto dos EUA, então use-o como mapa do que organizar e confirme com um advogado o que se aplica à sua empresa no Brasil.

Sugestão de checklist de documentos (editorial):
- Documentos de constituição da empresa.
- Registro de quem detém as ações ou cotas e em que proporção.
- Comprovação de que a propriedade intelectual (marca, código, conteúdo) pertence à empresa.
- Plano de uso dos recursos que serão captados.
- Rascunho do contrato de investimento, já enviado para revisão jurídica.
Instituições de apoio, como o K-Startup na Coreia do Sul, oferecem suporte jurídico em contratos e negociação de rodadas [S4], o que mostra que esse tipo de ajuda existe em alguns países. No seu caso, busque apoio jurídico no Brasil antes de assinar qualquer documento.

Erros comuns na captação pré-seed
- Pedir um valor sem lógica de cálculo, sem ligar o dinheiro às metas da próxima rodada.
- Montar um deck que só funciona com você apresentando.
- Falar com um investidor de cada vez, perdendo ritmo e poder de comparação.
- Abordar investidores sem pesquisar se o perfil deles combina com o seu negócio.
- Assinar sem revisão jurídica ou sem entender o efeito do contrato na cap table.
Lista de verificação final: metas definidas, valor calculado de trás para frente, lista de alvos pronta, deck autoexplicativo, simulação de diluição feita e documentos organizados.
Perguntas frequentes (FAQ)
Preciso de receita para captar pré-seed?
Segundo [S1], o pré-seed trata de ideia ou protótipo e de evidências de demanda, como lista de espera e piloto pequeno. Receita não aparece como requisito nessa descrição, mas cada investidor tem seus próprios critérios.

SAFE vale no Brasil?
O SAFE descrito em [S2] é um modelo dos Estados Unidos. Não há base aqui para afirmar que ele seja padrão ou simples no Brasil. Converse com um advogado para saber se e como adaptá-lo.
Quanto tempo leva a captação?
Não há prazo garantido. O que você controla é o preparo: ter lista de investidores, resumo, deck e documentos prontos e conduzir reuniões em paralelo [S1].
Quanto de participação devo ceder?
Não existe um percentual padrão. O caminho é simular cenários: valor investido dividido pelo valor-teto, no caso do SAFE [S2], e o efeito de vários investidores somados, sempre com apoio jurídico para confirmar os termos reais.

Conclusão e próximos passos
Captar um pré-seed é um processo de preparo e de lógica: defina a evidência que a próxima rodada exige, calcule o valor de trás para frente, organize materiais e lista de alvos, conduza as conversas em paralelo e só assine depois de entender o efeito na cap table e de passar pela revisão jurídica.
Três passos imediatos:
- Escreva a meta que a próxima rodada vai exigir e calcule o valor a captar de trás para frente.
- Monte a lista de investidores, o resumo curto e um deck que funcione sem apresentação oral.
- Organize os documentos societários e marque uma conversa com um advogado antes de falar de contrato.
Revise os checklists deste guia com a sua equipe e, antes de assinar qualquer contrato de investimento, busque orientação jurídica no Brasil.
- [S1] Foundersbase. How to Raise a Pre-Seed Round for Your Startup. 2026. foundersbase.com
- [S2] Y Combinator. The SAFE: The standard way startups raise money. ycombinator.com/safe
- [S3] K-Startup (Coreia do Sul). Curso “Investimento e estratégia de saída” (Investimento e Exit). k-startup.go.kr
- [S4] K-Startup (Coreia do Sul). Centro de apoio one-stop para startups: área de captação de investimento. k-startup.go.kr
- [S5] Lowenstein Sandler LLP. Preparing for a Pre-Seed Financing Round. lowenstein.com (PDF)
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Fonte: Atovia (Atovia). https://atovia.kr